Brasil
A Congregação da Imaculada Conceição de Castres estudada pela pesquisa é fundada em 1836 na cidade de Castres na França por Emilie de Villeneuve que nasceu 1811, filha do conde Luiz de Villeneuve e da condessa de Avessens. A partir do seu surgimento o número de irmãs foi aumentando, a Congregação foi se desenvolvendo e se expandindo para vários lugares do mundo e em especial na América Latina.O diferencial da história da Congregação e que envolve gênero é que em 2003, após anos de desenvolvimento da Congregação das Irmãs Azuis e de expansão para vários países na América Latina, alguns leigos buscam seguir o carisma de Emilie de Villeneuve assim como as irmãs. O processo foi longo até se tornarem sacerdotes. Realizaram sua formação com as irmãs de 2003 até 2016 e depois disso não mais fazem parte da Congregação. São hoje uma Associação Pública Clerical ainda em um processo de formação para serem considerados uma Congregação (para formação de uma Congregação são necessários 40 adeptos). Dois deles são padres e tiveram sua ordenação em 24 de setembro de 2016. A casa central dos Irmãos está em Santa Cruz na Bolívia, anteriormente localizada em Pirizal no Paraguai.Por conta desta “inversão” em relação ao que normalmente ocorre no desenvolvimento de uma Congregação religiosa católica, vamos levantar dois pontos em que um jogo de relações sociais e de poder ocorrem: o primeiro é o gênero, que nesse estudo se torna um conceito fundamental para entendermos o dilema da diferença na religião católica e em sua infraestrutura. O segundo é perceber como ocorreram os processos de imigração destes grupos na América Latina tanto para eles como para elas. Com estes dois elementos é possível contribuir com um estudo mais amplo da atuação das Congregações religiosas na América Latina.Para o primeiro ponto, o gênero, várias são as definições dadas ao conceito e é preciso esclarecer o que entendemos por gênero no trabalho e de que forma o olhar de gênero vai direcionar a pesquisa. Uma delas, traz um leque de possibilidades necessárias para atribuir o conceito em diferentes sociedades, culturas e momento histórico. Ser um homem ou uma mulher em um determinado ambiente social remete a “conduta”, atributos, ou até o que chamamos “jeito de ser” que envolve vestimentas, hábitos, atividades que são socialmente atribuídos (Grossi, 1997).Como acrescenta Schiebinger (2001) o conceito é: “mais propriamente usado para referir um sistema de signos e símbolos denotando relações de poder e modos de expressão no interior das relações do mesmo sexo” (p. 45). As questões de poder no interior do mesmo sexo também ocorrem e fazem parte do conceito de gênero. O gênero não envolve somente as mulheres, mas pode incluir as mulheres. Importante considerar assim que as hierarquias de gênero se reproduzem e precisam ser analisadas nas relações entre gênero, raça, classe e sexualidade. O gênero seria um ponto de convergência entre conjuntos específicos de relações que confluem cultural e historicamente.A reprodução das relações sociais (práticas, expressões de fé, símbolos) e o lugar da mulher e do homem dentro da religião são aspectos importantes para percepção de dominação e efeitos sobre a vida das irmãs e irmãos. Pretendemos, por esse motivo, ao longo do texto fazer estas relações nos grupos religiosos citados.Para um segundo ponto a história da Congregação feminina atrelada às observações de seu fluxo migratório para a América Latina e seus impactos sociais, inserindo-as em um processo mais geral da vinda de Congregações religiosas francesas para o Brasil no início do século XX. Também sobre o grupo dos Irmãos Azuis, seu contexto de surgimento, suas relações com as irmãs azuis e sua atuação e deslocamento do Paraguai para a Bolívia.A pesquisa sobre eles se encontra em andamento, mas pelo material disponibilizado e pelos depoimentos dados compreendemos que o percurso até a chegada deles na Bolívia foi cheio de percalços, possuindo questões eclesiais burocráticas e de atuação das irmãs junto a eles.
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