A experiência turística resulta da interação entre o visitante e o destino, sendo influenciada por múltiplos fatores que, combinados, originam uma perceção pessoal e única. Esta perceção é moldada pelo ambiente, pela cultura local, pelas atividades realizadas e pelas emoções vividas durante a viagem. Cada pessoa interpreta e interioriza a vivência turística de forma singular, transformando-a numa memória exclusiva. No caso da visita a um monumento ou a um sítio histórico, o seu significado permanece intimamente ligado às perceções, motivações e expectativas do visitante. Ao explorar um lugar, a estimulação sensorial constitui um instrumento valioso, não só pelo envolvimento e relação do consumidor com o destino, mas também pela capacidade de adaptar comportamentos, superar expectativas e imergir o visitante numa experiência satisfatória. A perceção do mundo ocorre através dos sentidos, que influenciam tanto a memória como as intenções comportamentais. Tendo em conta a escassez de estudos que explorem a dimensão sensorial no contexto do património arqueológico, esta investigação teve como objetivo analisar de que forma se pode proporcionar uma experiência multissensorial, acessível e inclusiva a pessoas com necessidades especiais, aproximando-as do património arqueológico da cidade de Braga. Os resultados evidenciam que, embora Braga apresente boas práticas e recursos relevantes em matéria de acessibilidade, persistem barreiras físicas, comunicacionais e de informação, bem como uma oferta limitada de experiências que integrem plenamente os cinco sentidos. Com base nestes resultados, concebeu-se o roteiro multissensorial inclusivo “Braga com Sentidos”, que integra locais arqueológicos selecionados e estimulação sensorial adaptada, propondo-se como modelo replicável para outros contextos patrimoniais. O estudo reforça a importância da acessibilidade e do design universal no turismo cultural, oferecendo recomendações práticas para gestores e decisores, e acrescenta conhecimento científico sobre a aplicação da dimensão sensorial no património arqueológico.
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