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Des-Dobra: re-visão e tradução. A construção da poetisa em Adília Lopes = Des-Pliegue: re-visión y traducción. La construcción de la poetisa en Adília Lopes

  • Autores: Sónia Rita Cardoso Melo
  • Directores de la Tesis: Elena Losada (dir. tes.)
  • Lectura: En la Universitat de Barcelona ( España ) en 2015
  • Idioma: español
  • Materias:
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  • Resumen
    • É nosso propósito, neste trabalho doutoral, ler a obra da poetisa portuguesa contemporânea Adília Lopes (Lisboa, 1960), a partir de uma perspetiva ginocrítica, suportada pelos Estudos de Género, e mais particularmente Feministas, refletindo, simultânea e consequentemente, sobre as questões levantadas pela escrita de mulheres, assim como apresentar uma leitura inserida num quadro de transcriação tradutológica.

      O projeto literário Adília Lopes raramente surge associado a um pensamento feminista ou politicamente interventivo. O presente estudo tem por objetivo principal sublinhar, precisamente, as relações entre a componente intervencionista e de luta do feminismo e o empenho da artista/cidadã na construção uma sociedade igualitária. Aceitando a perspetiva ginocrítica -na esteira de Elaine Showalter, Hélène Cixous ou Anna Klobucka- como modelo interpretativo que tem por objeto a mulher enquanto produtora de significado textual e, simultaneamente, como paradigma científico e académico, a primeira parte do nosso trabalho atenta na construção da autora de poesia, a poetisa, através do uso da pseudonímia feminina e da figura da autobiografia, concluindo da sua eficácia enquanto ato de resistência e denúncia dos jogos de autoridade e poder, baseados na dicotomia feminino / masculino.

      Neste situar do sujeito escritora em contexto, abordam-se as representações do corpo na idade pós-moderna na qual inscrevemos a nossa autora. Desta forma, destacamos o modo como se entrelaça, de forma complexa, a urdidura do pensamento feminista e pós-feminista com a conceção pós-modernista da história, da sociedade e do homem. Considerando a escrita adiliana um produto do seu tempo, estabelecemos as ligações da poesia de Lopes ao marco tipológico representado pelo pós-modernismo. Contudo, antes de procedermos à ilustração e à análise da forma como as coordenadas deste movimento se consubstanciam na obra adiliana, examinamos as grandes etapas do percurso histórico deste conceito periodológico. Neste sentido, damos especial destaque à sua perigosa ligação com os feminismos que entendemos plurais e diversos.

      Num segundo momento do nosso estudo, atentamos nas linhas de força da escrita de Adília Lopes, reveladas pela ferramenta intertextual e pelo seu diálogo incessante e peculiar com o mundo. Inscrevemos as histórias de Adília e Maria José nas narrativas feministas, destacando a politização da sua escrita, oriunda de uma personalização identitária que age como uma âncora que a localiza no seu corpo, na sua rua, na cidade, no país, no mundo. Vemos, por fim, de que forma a excessiva pessoalização do sujeito poético adiliano torna a sua escrita impessoal, no sentido dado por Roberto Esposito, a partir da reflexão da filósofa Simone Weil. A terceira pessoa, o terceiro corpo que emerge desta desagregação pessoal, celebra a comunhão cristã e redentora de Adília Lopes com o mundo dos homens.

      Na última parte deste trabalho académico, e propondo uma outra forma de leitura, apresentamos a tradução para castelhano do Clube da Poetisa Morta, publicado em 1997. Na perspetiva hermenêutico-tradutológica adotada, a tradução do texto literário apresenta-se sempre como uma re-visão criativa do texto original e um desvelamento ou uma instauração de novos horizontes de sentido. A tradutora assentará o seu plano de tradução no conceito de “projeto menorizante”, segundo o formato proposto por Lawrence Venuti, e privilegiará o “écart” (desvio) em detrimento da diferença textual, comungando assim com a reflexão filosófica de François Jullien a propósito do desvio e da diferença. O livro selecionado anuncia, desde o título, várias linhas de leitura presentes na obra adiliana, sejam a ironia iconoclasta, a temática da morte (figurada e literal), a miséria humana, motivo fundamental na poesia impessoal da autora, passando pelas referências à cultura popular, à religião católica e a culturemas específicos que fazem deste conjunto poemático um exemplo da escrita distintiva da poetisa portuguesa.


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