During the 16th century, several issues related to the Moriscos’ way of life in the territories of the Hispanic Monarchy were the object of what we could call “social disputes”, in view of the regulation of life promoted by the Monarchy, the Catholic Church, and veiled forms of resistance from this minority group. The quest for a social uniformity that followed the forced baptisms would affect cultural aspects of the Moriscos in many ways, including food. If the manner of rearing, slaughtering, cooking animals, as well as the choice of spices, flour, legumes, vegetables, and fruits, by the Moriscos (conversos) had elements in common with those of the Peninsular Christians, aspects that functioned as markers of identity, surveillance and control mechanisms, also remained. The manners of sitting at the table, fasts, prohibitions, prayers while eating, holy days or descriptions of hunger in times of revolts or pilgrimages (Mudejars) are part of this panorama. We seek here to address the diet of the Moriscos (and Mudejars) from plural and heterogeneous sources, records both from the Moriscos (and Mudejars) point of view and Hispanic Christians (from the Monarchy and the Catholic Church), in addition to those recorded by foreign travelers. We used ballots, decrees, laws, a Synod, bans, letters, apologetic writings, texts by jurists on Islam, reports of journeys to Mecca and visitors to Granada, among others. This documentation allows us to glimpse some points about the commensality of a social group, surviving as a “minority” amid a Catholic world that linked them to Islam.
Durante o século XVI, diversas questões relacionadas ao modo de vida dos mouriscos, nos territórios da Monarquia Hispânica, foram objeto daquilo que poderíamos chamar de “disputas sociais”, tendo em vista a regulação da vida promovida pelo governo e igreja e formas veladas de resistência deste grupo minoritário. A busca pela uniformização social que se seguiu aos batismos forçados afetaria aspectos culturais dos mouriscos de modo variado, inclusive a alimentação. Se a forma de criação, abate e preparo dos animais, bem como as escolhas de especiarias, farinhas, leguminosas, hortaliças e frutas por parte dos mouriscos (conversos) apresentava elementos em comum com as dos cristãos peninsulares, também permaneciam aspectos que funcionavam como marcadores de identidade, ativando mecanismos de vigilância e controle. A maneira de sentar-se à mesa, os jejuns, as proibições, as orações ao comer, os dias santos ou as descrições da fome em tempo de revoltas ou de peregrinações (mudéjares) integram este panorama. Procuramos aqui abordar a alimentação dos mouriscos (e mudéjares) a partir de fontes plurais e heterogêneas, registros tanto do ponto de vista mourisco (e mudéjar) e de cristãos hispânicos (do estado e da igreja), além dos registrados por viajantes estrangeiros. Nos valemos de cédulas, decretos, leis, um Sínodo, proibições, cartas, escritos apologéticos, textos de jurisconsultos sobre o Islã, relatos de jornada de viagem para Meca e de visitantes a Granada, dentre outros. Esta documentação nos permite vislumbrar alguns pontos sobre a comensalidade de um grupo social, sobrevivendo como “minoria” em meio a um mundo católico que os vinculava ao Islã.
© 2001-2026 Fundación Dialnet · Todos los derechos reservados