Este artigo analisa prescrições para a educação do corpo dacriança pequena compreendendo-as como importantesdispositivos disciplinares produzidos na modernidade.Como uma aposta cultural, a arte de educar a infância foi abordada como um projeto político estabelecido por sucessivas camadas eorientado por diferentes interesses e sistemas postos em relação. Oestudo apresenta uma discussão sobre a construção cultural dainfância e do corpo como um par significativo no processocivilizador e na educação dos sujeitos, estabelecendo reflexõessobre a incorporação e a (re)configuração dos sentidos atribuídosà educação corporal das crianças pela instituição escolar. A obraCivilidade Pueril escrita por Erasmo de Roterdã no século XVI, foitomada como marco inicial ―e também como metáfora― para aanálise de representações sociais construídas, na longa duração,para uma pedagogia das boas maneiras. Em perspectiva histórica,interessou-nos ressaltar a circulação de ideias e prescrições para aeducação da criança pequena que, levadas a termo primeiramentena Europa Ocidental, se estenderiam às várias partes do mundo,portando, quase sempre, um imperioso efeito de verdade. Com opropósito de identificar ressonâncias e apropriações no debateeducacional brasileiro do início do século XX, ajustamos a escalade observação para um recorte singular e enfatizamos práticasescolares realizadas em Minas Gerais, nas décadas de 1920 e 1930.Nas fontes analisadas, identificamos elementos de conexão entre amoderna escola infantil e o complexo sistema de representaçõesque, nos últimos séculos, modificou sensibilidades e experiênciasem relação à infância e à sua educação corporal.
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