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De tônico para idosos a melhorador de desempenho em crianças: os usos da Ritalina e as explicações cerebrais para transtornos mentais

    1. [1] Prefeitura Municipal de Florianópolis
  • Localización: Tempo e Argumento, ISSN-e 2175-1803, Vol. 14, Nº. 37, 2022 (Ejemplar dedicado a: Resistência, adesão e acomodação na América Latina: Imprensa e humor em contextos autoritários)
  • Idioma: portugués
  • Títulos paralelos:
    • From tonic for the elderly to performance enhancer in children:: the uses of Ritalin and the brain explanations to mental disorders
  • Enlaces
  • Resumen
    • português

      O objetivo deste artigo é analisar em perspectiva histórica os diferentes usos atribuídos à Ritalina (metilfenidato), desde a sua descoberta, na década de 1950, até hoje. Analisamos também como as explicações sobre supostos substratos neurais para os transtornos mentais possibilitou e legitimou o atual uso da droga para “tratar” problemas de comportamento e para melhorar o desempenho acadêmico. São abordados o diagnóstico do Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), que permitiu o uso de metilfenidato e de outros estimulantes em crianças; como esse medicamento foi usado ao longo do tempo, desde sua entrada no mercado na década de 1950; o papel das explicações biológicas cerebrais na consolidação do TDAH como diagnóstico psiquiátrico tratável com medicamentos; e como tudo isso resulta no metilfenidato como um medicamento prescrito e utilizado para melhorar o desempenho cognitivo. Argumentamos, ao final, que acrença nos substratos neurais de transtornos mentais pode gerar consequências sociais relevantes: a relativização da influência de questões sociais nos sofrimentos; a tentativa de prevenção de “perigos” por meio do tratamento e estigmatização de indivíduos considerados em risco; danos físicos e neurais decorrentes do uso exagerado e/ou a longo prazo de medicamentos psicotrópicos, dentre outras.

    • português

      The present study aims to understand the roots of the current uses of Ritalin (methylphenidate) and how the explanations about neural backgrounds for mental disorders make the use of drugs acceptable and even desirable to “treat” behavioral problems and enhance academic performance. We discuss the Attention Deficit Hyperactivity Disorder (ADHA) diagnosis, which allowed the use of methylphenidate and other stimulants in children; how the drug was used over time, since entering the market in the 1950s; the role of the biological explanations about the brain in emergence of ADHD as a psychiatric diagnosis treatable with drugs; and how these issues result in prescribing and using methylphenidate to enhance cognitive performance. Finally, we argue that the beliefs in neural background to mental disorders may create relevant social consequences: the relativization of social issues related to suffering; a tendency of trying to prevent “threats” through treatment and stigmatization of individuals considered in risk for mental distress; physical and neural damages due to exceeded and/or long-term use of psychoactive drugs, among others.


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