Brasil
Este ensayo es un ejercicio especulativo basado en el siguiente supuesto: el fundamento epistemológico de la modernidad permitió el advenimiento del Antropoceno. Aunque el término puede resultar neutral, habiendo sido acuñado por primera vez en el ámbito de la ciencia para nombrar el comienzo de una nueva época geológica; el concepto esconde la cadena de relaciones que encarna. Después de todo, ¿quiénes son los humanos que impulsaron el Antropoceno? Es más, sea un efecto colateral o no del proceso de modernización global, es parte de un fenómeno más amplio de homogeneización de patrones y culturas. El establecimiento de un patrón único -el hombre blanco occidental- está detrás del genocidio, epistemicidioy ecocidio que caracterizan la modernidad. Pretendemos, por tanto, analizar cómo estos fenómenos (epistemicidio, genocidio y ecocidio) se entrelazan y amplifican con el advenimiento del Antropoceno. Para ello, se establecerá un diálogo entre diferentes campos del conocimiento con el fin de lograr la imaginación especulativa necesaria para vislumbrar perspectivas que van más allá de la corriente principal. Así, se traerá a la discusión la novela Solar de Ian McEwan (2011), ya que no solo trae como telón de fondo los efectos de la acción humana en el planeta, sino que también tiene a un científico como protagonista. La perspectiva del hombre de ciencia blanco, heterosexual y europeo será nuestro punto de partida. Después de todo, ¿puede la ciencia permanecer neutral en tiempos de catástrofes planetarias? Este ensayo, por tanto, se inscribe en los entrecruzamientos, coyunturas, enredos tan queridos por el pensamiento contemporáneo preocupado por formas menos antropocéntricas de estar en el mundo.
This essay is a speculative exercise based on the following assumption: modernity’s epistemological foundation enabled the advent of the Anthropocene. Although the term may be found neutral, having been first coined in the realm of science to name the beginning of a new geological epoch; the concept hides the chain of relationships that it embodies. After all, who are the humans who propelled the Anthropocene? What’s more, being a side effect or not of the global modernization process, it is part of a wider homogenization phenomenon of patterns and cultures. The establishment of a sole pattern – white western man – is behind the genocide, epistemicide and ecocide that characterize modernity. We aim, therefore, at analyzing how these phenomena (epistemicide, genocide and ecocide) become entangled and amplified with the advent of the Anthropocene. To do so, a dialogue will be established among different fields of knowledge in order to achieve the speculative imagination necessary to envision perspectives that go beyond the mainstream. Thus, the novel Solar by Ian McEwan will be brought to the discussion, since it not only brings the effects of human action on the planet as a backdrop, but also has a scientist as its protagonist. The perspective of the white, heterosexual, European man of science will be our starting point. After all, can science remain neutral in times of planetary catastrophes? This essay, therefore, is part of the interweaving, junctures, entanglements so dear to contemporary thought concerned with less anthropocentric ways of being in the world.
O presente artigo é um exercício especulativo que parte do seguinte pressuposto: a fundamentação epistemológica da modernidade propiciou a emergência do evento Antropoceno. Embora o termo adquira ares de neutralidade, tendo sido primeiramente utilizado no âmbito das ciências ditas duras para designar a entrada em uma nova era geológica, o conceito escamoteia a cadeia de relações que ele próprio coloca em cena. Afinal, quem são os humanos que estão no cerne do Antropoceno? Ademais, tendo sido fruto, acidental ou não, do processo de modernização global, faz parte de um fenômeno maior de homogeneização de padrões e culturas. O estabelecimento de um padrão único – o homem branco ocidental – está por trás dos genocídios, epistemicídios e ecocídios que caracterizam a modernidade. Pretende-se, assim, analisar a forma como tais fenômenos (genocídios, epistemicídios e ecocídios) se entrelaçam e se amplificam com o advento do Antropoceno. Para tal, um diálogo será travado com diferentes saberes, a fim de garantir a imaginação especulativa necessária para se vislumbrar perspectivas para além do já estabelecido. Dessa maneira, o romance Solar, de Ian McEwan, será trazido para a discussão, uma vez que não somente traz como pano de fundo os efeitos da ação humana no planeta, como também tem como protagonista um cientista. A visão do homem da ciência, branco, heterossexual, europeu será o ponto de partida de nossa discussão. Afinal, pode a ciência se manter neutra em tempos de catástrofes planetárias? O presente texto, então, inscreve-se no seio de entrelaçamentos, junturas, emaranhamentos tão caros ao pensamento contemporâneo preocupado com formas menos antropocêntricas de estar no mundo.
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