Essa proposta analisa as novas perspectivas para o desenvolvimento rural, considerandoo caso das reservas extrativistas pertencentes à Amazônia brasileira. A noção de‘desenvolvimento rural’ é operada, em múltiplas práticas como um conceito normativo influenciadopela retórica oficial das legislações e políticas públicas. Ainda que globalmente osdiscursos e a legislação nos últimos anos sublinhem a sustentabilidade como um importantedesafio, cada realidade se apropria e instrumentaliza este conceito de acordo com suas necessidades,seus limites e possibilidades. A base empírica para esse estudo são as ReservasExtrativistas Alto Juruá e Riozinho da liberdade localizadas no estado do Acre, Brasil. A metodologiautilizada foram observações de campo, entrevistas semiestruturadas com moradorese lideranças e pesquisa documental. Além disso, utilizou-se também de técnicas do DiagnósticoRápido Participativo (DRP). Os principais resultados apontam uma dificuldade de participaçãodos moradores em arranjos associativos, sendo a falta de articulação entre eles omaior entrave ao desenvolvimento de atividades conjuntas. Verifica-se que com o declínio daextração do látex essas comunidades passam a dedicar a agricultura de subsistência, o quemodifica, substancialmente, a forma de ocupação e utilização do território. Existe tambémuma forte dependência das famílias residentes nessas áreas aos programas governamentaise das instituições públicas. A estrutura física e pedagógicas das escolas são precárias, nãoexiste saneamento básico, e, sobretudo, a população local convive com a falta água tratada,energia elétrica, postos de saúde e remédios. Ainda assim, percebe-se o caráter sustentáveldas atividades propostas pelas populações tradicionais, pelo menos diante dos arranjos dapecuária extensiva de corte existente na região.
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