O presente artigo, de autoria de Detlev Schöttker, trata da presença da obra A crônica da rua dos pardais, do romancista alemão do século XIX, Wilhelm Raabe, nas obras autobiográficas de Walter Benjamin, em especial, na Crônica berlinense e sua reescrita Infância em Berlim por volta de 1900, bem como em trechos da obra das Passagens. Ambos os autores buscam trabalhar literariamente a passagem do tempo e as transformações de uma sociedade urbanizada. O registro nostálgico das lembranças da infância, presente na obra raabiana, é reencenado de modo singular nos textos benjaminianos. O tempo passa não apenas de modo abstrato, capturado pelo psiquismo individual e escandido cronologicamente; essa passagem envolve também, de modo concreto, um contato simultaneamente veloz, nervoso e intermitente do indivíduo com o lugar por excelência da coletividade e suas ramificações: a cidade grande. Ao revelar de modo irrefutável essa fonte literária velada de algumas obras benjaminianas, o artigo empreende uma aguda reflexão sobre a modernidade e suas marcas na literatura de língua alemã.
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