On July 4, 1934, Jorge Luis Borges published Poema conjetural a text that follows the consciousness of Francisco Narciso de Laprida, a historical character of the Argentinian Independence, in his deathbed. The poem embodies a political criticism that is, nevertheless, subtly built through the use of symmetrical dates (the 1943 coup d’état stars on June 4) and through the presence of an anachronism in Laprida’s conjecture, the term sudamericano. This paper investigates how Borges revisits his poem, in a lecture and in interviews, to add comments that highlight the anachronism and its political criticism implied in it. The thesis is that the enveloping texts reveal the author’s wish to point out the presence of a pathos in his poem, a discourse of human solidarity directed to South-Americans. It is in the ambivalence of the discourse, in (on) Poema conjetural, that the historical poem/contemporary poem anachronism reaches its full power.
Em 4 de julho de 1943, Jorge Luis Borges publica Poema conjetural, texto que segue a consciência de Francisco Narciso de Laprida, personagem histórico da independência argentina, no momento de sua morte. O poema contém uma crítica política que, no entanto, está instalada nas sutilezas da simetria de datas (o golpe militar de 1943 deu-se em 4 de junho) e do uso de um anacronismo na conjectura de Laprida, o termo sudamericano. O presente artigo observa como Borges retomou, em conferência e entrevistas, seu Poema conjetural para agregar comentários que destacam o anacronismo e a crítica política nele sugerida. Defendemos a ideia de que estes textos envelopantes revelam o desejo do autor de assinalar em seu poema a presença de um pathos, um discurso da solidariedade humana direcionada ao sul-americano. É na presença da ambivalência do discurso em (sobre) Poema conjetural que o anacronismo poema histórico/poema contemporâneo alcança potência máxima.
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