O processo de globalização vem promovendo transformações que se estendem pela superfície de todo o globo, padronizando produtos e redesenhando territórios. No turismo este processo é ainda mais perceptível. Em tempos acelerados, territórios produtivos tendem a se adaptar a novos modelos e padrões de consumo, ora incorporando inovações, ora reafirmando suas tradições. Nesse contexto, percebe-se a enogastronomia como um viés para o desenvolvimento do turismo em nível regional, pois busca equalizar a reação regional no espaço rural através do oferecimento de um “produto particular” frente aos processos globalizantes que se apresentam na atualidade. Desta forma, compreende-se a enogastronomia como a união de segmentos de alimentos e bebidas que se alicerça num tripé que compreende o produtor rural, as empresas (vinícolas e restaurantes) e o território, onde são desenvolvidos e aplicados conhecimentos teóricos, técnicos e práticos no oferecimento de produtos originais e de qualidade aos consumidores finais. Percebe-se que, assim como outros setores econômicos, a enogastronomia também absorve características globais, tanto na formação de suas identidades quanto no desenvolvimento dos indivíduos, todavia com um poder de reação que caracteriza o processo dialético entre o global e o regional. Assim, o presente trabalho analisa a enogastronomia como uma ferramenta para o desenvolvimento turístico da região localizada no espaço rural entre os municípios de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul denominada Região do Vale dos Vinhedos, RS/Brasil. O Vale dos Vinhedos se caracterizada pela pequena propriedade, pela excelência na produção de uvas e vinhos, pelo enoturismo, pela gastronomia colonial italiana, pelo empreendedorismo, pelo terroir e pelas indicações geográficas de procedência e denominação de origem. O marco teórico desta investigação está referenciado no materialismo histórico, a pesquisa de campo aponta para a busca regional em incorporar elementos que permitam o movimento de inovação em produtos e processos, ao mesmo tempo em que está assentada em bases culturais étnicas identitárias muito sólidas. Por fim, os resultados destacam que a dinâmica enogastronômica e o turismo se retroalimentam num processo de inovação e fortalecimento endógeno e de suas cadeias produtivas, o que contribui para a manutenção do fenômeno turístico no espaço rural, para a construção da identidade social territorial e para a reprodução da economia na região.
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