Nosso estudo versa sobre a narrativa do cururueiro e a poética do Cururu, que é, por sua origem, uma prática relacionada a valores religiosos, éticos e de companheirismo, ao mesmo tempo em que é vivenciada como uma brincadeira entre seus praticantes. O objetivo é tratar do Cururu discutindo os conceitos de tempo e de resistência na narrativa, reconhecendo que resistir tem a ver com a capacidade de opor-se a um sistema de força contrária, além de ser a capacidade de lutar em defesa de algo, em face do peso dos princípios e dos valores de dada cultura. Utilizamos o método de pesquisa bibliográfica, tomando por base as cantigas de Cururu executadas em Mato Grosso do Sul dispostas em obras como o Dossiê de Registro do Modo de Fazer Viola-de-Cocho, do IPHAN; a dissertação de mestrado de Eunice Ajala Rocha; e a entrevista do mestre cururueiro Agripino Soares Magalhães, para a série audiovisual A História da Nossa Gente do site Diário Corumbaense. O diálogo com referenciais teóricos passou por estudiosos como Alfredo Bosi, Benedito Nunes e Ecléa Bosi. A pesquisa mostrou a pertinência de tratar tanto a narrativa do cururueiro quanto da poética das cantigas sob a perspectiva dos conceitos propostos.
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