Brasil
This article proposes a philosophical reflection on childhood drawing on the thought of Walter Benjamin and Giorgio Agamben, understanding it not as a stage of human development, but as an experience of language. Based on scenes involving children, mobilized as dialectical images, the text investigates childhood as experimentum linguae: a relation to language that is not reduced to representation or communication. In this context, voice emerges as a form of mediality, exposing language in its sensible and embodied dimension. In dialogue with Benjamin’s notion of non-sensible similarities, the article approaches childhood experience as a logic of fabulation and metamorphosis, in which word, body, and world remain in relation. Therefore, this study argues that childhood preserves the memory of a non-instrumental language, whose listening opens space for other ways of imagining and inhabiting the world.
Este artigo propõe uma reflexão filosófica sobre a infância a partir de Walter Benjamin (2009; 2011; 2013) e Giorgio Agamben (2005; 2007; 2015; 2017), compreendendo-a não como etapa do desenvolvimento humano, mas como experiência da linguagem. A partir de cenas com crianças, mobilizadas como imagens dialéticas, investiga-se a infância como experimentum linguae: uma relação com a linguagem não reduzida à representação ou à comunicação. Nesse contexto, a voz aparece como medialidade que expõe a linguagem em sua dimensão sensível e corporal. Em diálogo com a noção benjaminiana de semelhanças não-sensíveis, o texto aproxima a experiência infantil de uma lógica da fabulação e da metamorfose, na qual palavra, corpo e mundo permanecem em relação. Argumenta-se, assim, que a infância guarda a memória de uma linguagem não instrumental, cuja escuta abre espaço para outras formas de imaginar e habitar o mundo.
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