Covilhã (Conceição), Portugal
The COVID-19 pandemic generated new symbolic devices, among which the surgical mask stands out as both a protective object and a cultural sign. This article examines the transformation of the surgical mask within the fashion system along two main axes: bricolage, understood as a practice of creative recombination of materials, and connotation, understood as a system for producing supplementary meanings. Combining theoretical grounding with case analysis, the study investigates different forms of appropriation of the surgical mask, both in improvised (unplanned) contexts and in professional fashion contexts. The findings reveal two distinct approaches: (1) a form of bricolage carried out outside the fashion system, centred on urgency and material availability; and (2) a planned form of bricolage performed by designers and brands, which reconfigures the mask as an aesthetic and communicational artefact. The second part of the article focuses on the connotative dimension of the mask as a sign, highlighting its semantic transformation when integrated into fashion, where it becomes an accessory and a symbolic vehicle for identity-based, ideological, and aesthetic discourses. Finally, the article explores the articulation between bricolage and connotation, showing how the mask moves beyond its functional purpose to become a complex sign that operates across health, style, consumption, and visual culture. The study contributes to the understanding of the symbolic re-signification of everyday objects in times of crisis, emphasizing the intersection of fashion, visual culture, and meaning-making. By analyzing a seemingly ordinary artefact that became a cultural sign, the article proposes a theoretical framework for understanding fashion as both a language and a social practice in times of change.
A pandemia da COVID-19 provocou a emergência de novos dispositivos simbólicos, entre os quais se destaca a máscara cirúrgica enquanto objeto de proteção e consequente signo cultural. Este artigo analisa a transformação da máscara cirúrgica no contexto da moda, a partir de dois eixos principais: a bricolage, enquanto prática de recombinação criativa de materiais, e a conotação, enquanto sistema de produção de significados suplementares. Combinando fundamentação teórica e análise de casos, investigam-se diferentes formas de apropriação da máscara cirúrgica, tanto em contextos improvisados (não planejados) como em contextos profissionais do sistema da moda. O estudo evidencia duas abordagens distintas: (1) uma bricolage realizada fora do sistema da moda, centrada na urgência e na disponibilidade material; (2) uma bricolage planejada, operada por designers e marcas, que reconfigura a máscara como artefato estético e comunicacional. A segunda parte do artigo foca na dimensão conotativa do signo máscara, destacando a sua transformação semântica ao ser integrada na moda, tornando-se adereço e veículo simbólico de discursos identitários, ideológicos e estéticos. Por fim, problematiza-se a articulação entre bricolage e conotação, revelando como a máscara deixa de ser apenas um objeto funcional para se tornar um signo complexo, em trânsito entre saúde, estilo, consumo e cultura visual. O estudo contribui para a compreensão dos mecanismos de ressignificação simbólica de objetos do cotidiano em contextos de crise, evidenciando a interseção entre moda, cultura visual e produção de sentido. Ao analisar um artefato banal transformado em signo cultural, propõe-se um enquadramento teórico para pensar a moda enquanto linguagem e prática social em tempos de mudança.
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