Brasil
This study aims to analyze suicide deaths in a public university in the state of Rio de Janeiro, Brazil, from 1990 to 2023. It conducted documentary analysis of 32 suicide occurrences in the university. As a result, the study presents two main categories: Numbers that speak of time and pain: the portrayal of suicide in university settings, which demonstrates that suicide cannot be understood solely as a number, but as an expression of a web of pains that manifest in the educational context recurrently over time; and Pain that speaks of people: the singularity of student distress, which shows occurrences with similar characteristics, with the majority of people being associated with the university, consisting of men, especially young ones aged 20 to 25 years, predominantly in Humanities programs. The theoretical approach based on Frantz Fanon and Émile Durkheim enabled a shift from the idea of suicide as a phenomenon exclusively related to individual vulnerability to an understanding of suicide as a sociogenic phenomenon and as a social fact, according to the effect of social, economic, and cultural structures that inform student life. The study also problematizes the limitations of the “Janeiro Branco” (White January) and “Setembro Amarelo” (Yellow September) campaign-based models adopted in Brazil, which tend to individualize social distress. Suicide in university settings expresses serious mental health indicators and reinforces the need for student distress no longer being made invisible and for universities to constitute spaces of care, solidarity, and inclusion of collective coping strategies.
Trata-se de um estudo que objetiva analisar as mortes por suicídio em uma universidade pública do estado do Rio de Janeiro, Brasil, no período de 1990 a 2023. Foi empreendida análise documental de 32 ocorrências de suicídio na universidade. Como resultados, o estudo apresenta duas categorias principais: Números que falam de tempo e de dor: o retrato do suicídio no contexto universitário, que demonstra que o suicídio não pode ser compreendido apenas como número, mas como expressão de uma trama de dores que se manifestam no contexto educacional de forma recorrente ao longo do tempo; e Dor que fala de pessoas: a singularidade do sofrimento estudantil, que evidencia ocorrências com características semelhantes, sendo a maioria de pessoas vinculadas à universidade, composta por homens, especialmente jovens entre 20 e 25 anos, com predomínio nos cursos de humanas. A aproximação teórica com Frantz Fanon e Émile Durkheim possibilitou o deslocamento da ideia de suicídio como fenômeno exclusivo da vulnerabilidade individual para uma compreensão como fenômeno sociogênico e como um Fato social, segundo o efeito das estruturas sociais, econômicas e culturais que moldam a vida estudantil. O estudo ainda problematiza as limitações dos modelos campanhistas de Janeiro Branco e Setembro Amarelo adotados no Brasil, que tendem a individualizar o sofrimento social. O suicídio no ambiente universitário expressa indicadores graves de saúde mental e reforça a necessidade de que o sofrimento estudantil não seja invisibilizado, mas que a universidade se constitua como espaço de cuidado, solidariedade e inclusão de estratégias coletivas de enfrentamento.
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