China
RAE de Macao (China)
Coimbra (Sé Nova), Portugal
A tradução das literaturas africanas em língua portuguesa para outros idiomas inicia-se por volta dos anos de 1950. À boleia desta tendência, autores como o moçambicano Mia Couto têm conquistado um número crescente de leitores e de estudos a nível mundial através da tradução literária. No entanto, os Estudos de Tradução sobre as obras traduzidas estão ainda na primeira etapa de desenvolvimento, com número reduzido de contribuições, em comparação com os estudos literários e linguísticos sobre as obras originais. Como contributo para essa área, desenvolveu-se um estudo sobre os empréstimos e estrangeirismos na tradução chinesa do romance de Mia Couto, Terra sonâmbula, realizada por Jin Xinyi (Couto, 2018). Diferente dos estudos da perspetiva linguística ou de teorias dos Estudos de Tradução clássicas e amplamente usadas, o nosso trabalho fundamenta-se no habitus (Bourdieu, 1990; Bourdieu & Wacquant, 1992), conceito-chave da abordagem sociológica de Pierre Bourdieu. Estrutura-se, assim, um diálogo interdisciplinar entre a tradução, a literatura e a sociologia. Por meio da análise da tradução chinesa dos empréstimos e estrangeirismos em Terra sonâmbula, procura-se descrever a forma como se reflete a socialidade do tradutor. Confirmou-se que o habitus do tradutor pode ser ressignificado em duas dimensões: a historicidade e a generatividade, bem como um conjunto de subcategorias pormenorizadas. Desta forma, o habitus do tradutor é capaz de libertar alguns conceitos de dualismo (por exemplo: estrangeirização e domesticação, adequação e aceitabilidade), que enfatizam o único polo na tradução. Por outro lado, observou-se que uma solução tradutória pode refletir, ao mesmo tempo, vários habitus do tradutor.
Translating African literature in Portuguese into other languages began around the 1950s. Following this trend, authors such as the Mozambican Mia Couto have gained many readers and studies worldwide through literary translation. However, Translation Studies on translated works are still in the early stages of development, with fewer contributions compared to literary and linguistic studies on original works. As a contribution to this area, this work develops a study on loanwords and foreignisms in the Chinese translation of Mia Couto’s novel Sleepwalking Land, completed by Jin Xinyi (Couto, 2018). Unlike studies from a linguistic perspective or classical and widely used Translation Studies theories, our study is based on habitus (Bourdieu, 1990; Bourdieu & Wacquant, 1992), a key concept in the sociological approach of Pierre Bourdieu. An interdisciplinary dialogue between translation, literature, and sociology is thus structured. By analyzing the Chinese translation of loanwords and foreignisms in Sleepwalking Land, we seek to describe how the translator’s sociality is reflected. It was confirmed that the translator's habitus can be resignified in two dimensions: historicity and generativity, as well as a set of detailed subcategories. In this way, the translator's habitus is able to liberate some concepts of dualism (e.g. foreignization and domestication, adequacy and acceptability), which emphasize the single pole in translation. On the other hand, it was observed that a translation solution can reflect several of the translator's habitus at the same time.
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