[1]
Quanto mais provocativa e libertadora é a arte, mais corre risco de ser perseguida por regimes ditatoriais. A censura à liberdade de criação é um dos motes de Ricardo III está cancelada ou Cenas da vida de Meierhold, texto dramático de Matéi Visniec, e remete direta ou indiretamente a vários contextos históricos autoritários: a Inglaterra de Ricardo III, rei absolutista e sanguinário; a União Soviética sob o punho de ferro de Stálin (1927-1953), em que viveu Meierhold; a Romênia comandada por Nicolae Ceaușescu (1974-1989), país natal de Visniec; o Brasil dos últimos anos. Esses tempos e espaços, embora distantes, têm em comum a vigência da censura em nome de ideologias totalitárias, logo, interdição do livre pensamento e da criação artística. Neste artigo, analiso como Visniec coloca em perspectiva diferentes contextos a partir do mesmo ponto de observação, o uso da violência para silenciar vozes contrárias aos regimes autoritários.
The more provocative and liberating art is, the more it is at risk of being persecuted by dictatorial regimes. The censorship of freedom of creation is one of the motives of Richard III n’aura pas lieu ou Scènes de la vie de Meyerhold, dramatic text by Matéi Visniec, and refers directly or indirectly to various authoritarian historical contexts: England of Ricardo III, absolutist and bloodthirsty king; the Soviet Union under the iron grip of Stalin (1927-1953), in which Meierhold lived; Romania led by Nicolae Ceaușescu (1974-1989), Visniec's native country; Brazil in recent years. These times and spaces, although distant, have in common the validity of censorship in the name of totalitarian ideologie, therefore, interdiction of free thought and artistic creation. In this article, I analyze how Visniec puts different contexts in perspective from the same point of view, the use of violence to silence voices contrary to authoritarian regimes.
© 2001-2026 Fundación Dialnet · Todos los derechos reservados