Brasil
A tarefa de organizar um dossiê dedicado à relação entre alimentação e gênero coloca, logo de início, organizadores e autores em meio a algumas problemáticas interessantes que não poderiam deixar de ser mencionadas nesta apresentação. Se por um lado, examinados isoladamente, os estudos de gênero e os estudos sobre alimentação constituem campos de produção científica profícua desde o final do século XX, trabalhos desenvolvidos sob uma perspectiva que associe as duas categorias são ainda pouco comuns na esfera acadêmica.1 Além disso, olhando mais de perto para o conjunto dessa escassa produção, nota-se que advêm das ciências sociais trabalhos nos quais gênero e alimentação constituem objeto central de investigação científica. A contribuição dos estudos históricos é ainda bastante rara se comparada a de outras disciplinas das ciências humanas. Nesse caso, um exemplo clássico do predomínio da Antropologia é o livro de Carole M. Counihan (Nova Iorque, 1999) representado neste dossiê com a tradução de um capítulo. No entanto, é evidente o destaque que a temática da alimentação vem conquistando na área de História, assim como seu caráter interdisciplinar e extremamente abrangente enquanto domínio de investigação.
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