Este artigo tem como objetivo refletir sobre o processo de publicação do romance O aborto (1893), de Figueiredo Pimentel, desde o formato folhetim até a edição em livro, considerando o componente comercial dos textos literários e as instâncias de recepção, em especial, a crítica literária brasileira em fins do Oitocentos. A fim de embasar teoricamente nosso estudo, recorremos às pesquisas de El Far (2004; 2007), Catharina (2013), Vieira (2015), Mendes (2017), Mendes e Vieira (2013) e, ainda, Sodré (1966) e Barbosa (2010). Nosso trabalho divide-se em três momentos: no primeiro, empreendemos um esforço em recuperar a trajetória do folhetim O artigo 200, título pelo qual a narrativa começou a ser publicada no periódico Província do Rio, em 1889; na sequência, nos debruçamos sobre a edição em formato de livro popular do romance O aborto, pela Livraria do Povo, de Pedro Quaresma, em 1893; por fim, destacamos críticas de Coelho Neto e Carlos Magalhães de Azeredo sobre O aborto publicadas em importantes jornais do período a fim de compreender aspectos acerca da recepção quando da publicação do romance em livro.
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