O debate sobre os paradigmas da justiça juvenil tem sido objeto de interesse de especialistas há décadas e, mais recentemente, vem ocupando o centro das atenções dos meios de comunicação de massa e de diversos setores da sociedade civil. Muitas teses foram elaboradas e os argumentos jurídicos acumulam-se ao longo dos anos. As posições, não raramente antagônicas, sobre a resposta ou o “tratamento” dispensado ao adolescente infrator, ultrapassam o campo jurídicopolítico.
No Brasil, o Estatuto da Criança e do Adolescente constituiu-se em marco jurídico fundamental no paradigma instituído no período de vigência da Constituição Federal de 1988. Especialistas criticam que o modelo ideal nunca foi plenamente implantado. Longe disso, a realidade sugere as inúmeras lacunas e carências das políticas públicas direcionadas à criança e ao adolescente no Brasil. E essa não é uma peculiaridade nacional. As pesquisas sugerem que, apesar dos modelos positivados sob a premissa de que a criança e o adolescente são sujeitos de direitos que deveriam receber atenção prioritária na elaboração e implantação das políticas públicas, há uma enorme distância entre a lei e o mundo da vida. Nesse cenário que orientou o nosso projeto editorial, contamos com a colaboração fundamental de pesquisadores que trazem experiências valiosas não apenas para aprofundar o debate sobre o modelo brasileiro, mas também para evidenciar peculiaridades de outros contextos nacionais, os quais, certamente, adensam o campo de estudos da justiça juvenil. Reputamos que a metodologia que direcionou o nosso projeto é útil para uma reflexão madura sob uma perspectiva comparada.
O livro tornou-se realidade porque ao projeto original uniram-se pesquisadores e professores de distintas localidades e áreas de interesse, contemplando textos de variadas realidades nacionais e tradições acadêmicas. Orientados pelo eixo central da coleção, os autores, sob inspiração transdisciplinar, propõem vias para a reflexão sobre os rumos da justiça juvenil no Brasil e em países europeus e latinoamericanos.
Justiça e processo penal juvenil: paradigmas, discurso jurídico e o modelo brasileiro
págs. 23-56
págs. 57-94
Proteção constitucional à infância e à adolescência: uma crítica à reduçãoda maioridade penal.
Débora Diniz Rodrigues, Luciana Brito, Gabriela Rondon, Sinara Gumieri
págs. 95-106
págs. 107-123
Violência e história de vida do adolescente que cometeu ato infracional de natureza sexual .
Liana Fortunato Costa, Maria Aparecida Penso, Marialice Nunes Silvestre Garcia Chaves
págs. 124-136
págs. 137-156
págs. 157-214
Alguna luz en la oscuridad: justicia restaurativa en el sistema penal juvenil argentino
págs. 215-236
Las adolescentes y el sistema de responsabilidad penal adolescente en Chile: el problema de las pocas olvidadas
págs. 237-269
págs. 270-309
págs. 310-335
El sistema integral de justicia penal de adolescentes en México: nuevo marco jurídico, nueva institucionalidad y ¿nuevas prácticas?.
págs. 336-380
La justicia penal juvenil en Centroamérica: reformas, contrarreformas y riesgos de involución
págs. 381-405
Justiça tutelar educativa portuguesa: um século da lei à prática
págs. 406-427
La justicia de menores en España: integrando una cultura de los derechosde la infancia en el modelo de responsabilización
Esther Fernández Molina, María José Bernuz Beneitez, Raquel Bartolomé Gutiérrez
págs. 428-453
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