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Pedro Pereira Neto
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Este artigo debruça-se sobre o discurso produzido por perfis institucionais portugueses que publicam óbitos. Argumenta-se primeiramente que os conceitos de memorial e de obituário encontram-se cada vez mais próximos, devido à possibilidade de os utilizadoresproduzirem conteúdos digitais e contribuírem para o discurso de luto nestes novos espaços. Posteriormente é apresentado um modelo analítico com princípios da Análise Crítica do Discurso, aplicado aos obituários e outros textos presentes em websitese páginas de Facebook de duas plataformas necrológicas e quatro funerárias locais. Sendo a análise aplicada exclusivamente ao discurso produzido pelos titulares de perfis institucionais nas plataformas (e não por utilizadores), são apresentadas diversas conclusões: a existência de um discurso de obituário básico e asséptico; a intencionalidade, por parte destes perfis, de transferir a narrativa obituária sobre o morto para os utilizadores, que por sua vez terão a potencialidade de atribuir significação à vida do morto; a existência de uma linguagem eufemística sobre a morte, tendencialmente dessacralizada e focada em conceitos como memória e homenagem; e a particularidade destes espaços no que concerne à mortalidade híbrida, já que as identidades virtuais dos falecidos poderão ser criadas pela primeira vez pelas funerárias, e os utilizadores que comentam onlinereconhecerão o falecido, provavelmente, do espaço físico da proximidade
This article focuses on the discourse produced by Portuguese institutional profiles that publish obits. It is first argued that the concepts of memorial and obituary are increasingly closer, due to the possibility of users producing digital content and contributing to the discourse of mourning in these new spaces. Subsequently, an analytical model is presented with principles of Critical Discourse Analysis, applied to obituaries and other texts present on websites and Facebook pages of two obituary platforms and four local funeralhomes. As the analysis is applied exclusively to the discourse produced by holders of institutional profiles on the platforms (and not by users), several conclusions are presented: the existence of a basic and aseptic obituary discourse; the intention, onthe part of these profiles, to transfer the obituary narrative about the deceased to users, who in turn will have the potential to attribute meaning to the deceased's life; the existence of a euphemistic language about death, which tends to be desacralized and focused on concepts such as memory and homage; and the particularity of these spaces with regard to hybrid mortality, since the virtual identities of the deceased may be created for the first time by funeral homes, and users who comment online will probably recognize the deceased from the physical space of proximity.
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