Brasil
Reflexiona sobre visiones hegemónicas que, desde las primeras elaboraciones imaginarias de un posible mundo occidental en el siglo IV a.C., distorsionaron la imagen de los pueblos africanos y apoyaron procesos de colonización bajo esta égida del pensamiento África(s), africanos, descendientes. Hay un mundo fascinado desde hace milenios por otro. Este mundo fascinado e imaginado, Occidente, exploró y se apoderó de la narrativa sobre varios otros mundos, descoloridos, borrados, reinterpretados por la memoria europea, ya sea a través de contornos territoriales o de narrativas históricas. Así, lo occidental, en contraste con lo oriental, también se desvaneció. ¿Qué son Oriente y Occidente? Así como no hay raza, pero sí racismo, quizá no haya Occidente ni Oriente, sino occidentalismos y orientalismos. Vale la pena preguntarse: debajo de estos imaginarios, ¿dónde está África(s), ubicada y perdida entre los elaborados “ismos”, en un lugar contrario a la idea de civilización, de no Occidente, de no Oriente, de “un no lugar"? Esta África imaginada hechiza a Occidente y al mismo tiempo es metamorfoseada por él. La novela El asno de oro, del africano Apuleyo (siglo II d.C.), servirá de pretexto para reflexionar sobre esta metamorfosis.
Reflete-se sobre visões hegemônicas que, desde as primeiras elaborações imaginárias de um possível mundo ocidental no quarto século a.C., distorceram a imagem de povos africanos e sustentaram processos de colonização sob essa égide de pensamento.. Essas visões são fábulas, correspondendo a efabulações sobre a(s) África(s), africanos, descendentes. Existe um mundo fascinado há milênios por outro. Esse mundo fascinado e imaginado, o Ocidente, explorou e assumiu a narrativa sobre vários outros mundos, esmaecidos, rasurados, reinterpretados pela memória europeia, seja por traçados territoriais ou da narrativa histórica. O Ocidental se contrapôs, assim, ao Oriental, também esmaecido. O que seriam Oriente e Ocidente? Assim como não existe raça, mas existe racismo, talvez não existam Ocidentes e Orientes, mas Ocidentalismos e Orientalismos. Cabe perguntar: sob esses imaginários, onde fica a África(s), que se situa e se perde entre os “ismos” elaborados, em lugar avesso à ideia de civilização, de não-Ocidente, de não-Oriente, de “um não-lugar”? Essa África imaginada enfeitiça o Ocidente e ao mesmo tempo é por ele metamorfoseada. O romance O Asno de Ouro, do africano Apuleio (Século II d. C.), servirá de pretexto para a reflexão sobre essa metamorfose.
It reflects on hegemonic visions that, since the first imaginary elaborations of a possible Western world in the fourth century BC, distorted the image of African peoples and supported colonization processes under this aegis of thought. Africa(s), Africans, descendants. There is a world fascinated for millennia by another. This fascinated and imagined world, the West, explored and took over the narrative about several other worlds, faded, erased, reinterpreted by European memory, whether through territorial outlines or historical narrative. The Western thus contrasted with the Eastern, also faded. What are East and West? Just as there is no race, but there is racism, perhaps there are no Wests and Easts, but Westernisms and Orientalisms. It is worth asking: beneath these imaginaries, where is Africa(s), which is located and lost among the elaborate “isms”, in a place contrary to the idea of civilization, of non-West, of non-East, of “a non -place"? This imagined Africa bewitches the West and at the same time is metamorphosed by it. The novel The Golden Ass, by the African Apuleius (2nd century AD), will serve as a pretext for reflection on this metamorphosis.
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