O artigo pontua, nas produções audiovisuais brasileiras Marighella (Wagner Moura, 2019) e Doutor Gama (Jeferson De, 2021) elementos de representação do protagonista negro, no contexto do projeto nacional de educação antirracista, em cumprimento à lei 10639 de 09/01/2003 para o ensino público do Brasil e estendida à indústria cultural (Brasil, 2003). Considerada a aplicabilidade da lei no âmbito da produção cinematográfica, destacam-se, na estrutura narrativa de cada obra, índices de escolhas formais e temáticas que, por um lado, seguem padrões clássicos na configuração de personagens (Rosa e Cardoso, 2013) e, por outro, buscam novos pontos de vista para o relato de fatos históricos. Nesse sentido, perspectivas decoloniais e antirracistas, pontuadas por bell hooks (2019) e Moreira (2020) são revisitadas, enquanto aporte conceitual e terminológico. Em resultado, evidencia-se a narrativização de um passado histórico atravessado por demandas sociopolíticas do presente, o que no caso da pauta antirracista, enseja contradições de ordem semântica ou a reiteração de estereótipos. Por fim, sinalizam-se nas obras elementos de análise fílmica potencialmente aplicáveis a produções similares, em suas estruturas e intencionalidades.
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