Brasil
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O objetivo deste texto é analisar o livro Vista Chinesa (2021), de Tatiana Salem Levy, a partir de uma perspectiva feminista centrada nas discussões em torno da relação entre literatura e o crime de estupro contra o corpo feminino. A força motriz da narrativa de Vista Chinesa é constituída por intermédio das memórias e dos relatos de uma amiga da escritora agredida e abusada sexualmente no ano de 2014, na cidade do Rio de Janeiro. A partir dos depoimentos coletados, a escritora inicia um trabalho (est)ético e político de denúncia e resistência contra a normatização da violência de gênero e aborda de modo inteligível o processo pós-trauma do crime de estupro, transitando entre ficção e realidade. Partindo dessas reflexões, propomos discutir, portanto, como a literatura abriga e tensiona esteticamente temas voltados à violência contra a mulher, em especial, ao estupro, de modo a propor amplo debate em torno do corpo social e suas dinâmicas constituídas por discursos e práticas hegemônicas e patriarcais.
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