Ana Castillo é uma escritora chicana que destrincha as vivências da sua comunidade, dedicando-se especialmente às (im)possibilidades de existência das mulheres chicanas com relação à sociedade anglo. Esse artigo, por sua vez, dedica-se à personagem Esperanza, uma das integrantes de uma família composta por cinco mulheres chicanas, na obra So Far from God (1993) de autoria dessa escritora. Assim, o objetivo desse manuscrito é analisar a construção da personagem Esperanza, observando sua agência frente a uma identidade fraturada, oscilante e, em certos aspectos, rígida, em meio ao contexto cultural e social conflitivo que demanda a consciência mestiza para sobrevivência. Para isso, foram utilizadas perspectivas teóricas variadas, como Gloria Anzaldúa e o trabalho teórico da própria Ana Castillo para observar o desenvolvimento das questões específicas da situação chicana; Stuart Hall e Maria Antònia Oliver-Rotger acerca da categoria identidade; dentre outras. Desse modo, desenvolveu-se uma pesquisa bibliográfica com método de análise alinhado à sociocrítica literária e à crítica feminista. Como conclusão, observou-se que a personagem pendulou entre concepções que a racionalidade ocidental positivista não concilia, sendo inevitável o senso de incoerência e de descompasso ao lidar com uma realidade que não se pauta na logicidade branca estadunidense que brada sua fictícia homogeneidade. Apesar disso, a personagem não desiste de sua jornada mesmo em morte, burlando as instituições de poder e retornando ectoplasmicamente para seguir buscando conocimiento e estimulando conscientización e a ação das mulheres de sua família.
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