Brasil
As literaturas de autoria feminina latino-americanas contemporâneas, tais como O Invencível Verão de Liliana (2021) de Cristina Rivera Garza, Vista Chinesa (2021) e Melhor não contar (2024) de Tatiana Salem Levy, têm apresentado estratégias criativas para percorrer por entre as fronteiras patriarcais que confinavam as mulheres: feminino/masculino, silêncio/voz, ficção/realidade, eu/outro, privado/público, incompleto/completo e incontáveis outras. Assim, este trabalho objetivou analisar alguns recursos literários estéticos e éticos utilizados por estas escritoras para narrar o inaudível na cultura androcêntrica: a outra metade da humanidade, ou seja, as experiências, os pensamentos e a complexidade do universo feminino. Diante de tal propósito, selecionou-se um referencial teórico interdisciplinar para pôr em diálogo história, sociologia, filosofia, literatura e teoria literária, dentre os quais se destacam as perspectivas de Florencia Garramuño (2014), Pierre Bourdieu (2019), Michelle Perrot (2007) e do Indicionário do Contemporâneo organizado por Celia Pedrosa [et al.] (2018). Por fim, o trabalho resultou na análise crítica das obras já mencionadas, nas quais foram observados restos do real, arquivo, memória, endereçamento e alteridade, como métodos utilizados para atravessar, transitar entre, e demolir fronteiras simbólicas.
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