Brasil
Este artigo analisa a abordagem literária da escrita feminina como um recurso de resistência no romance Uma duas (2011), de Eliane Brum. A análise aqui proposta pretende destacar a importância do protagonismo das mulheres em produções que priorizam suas vozes, subjetividades e experiências, estabelecendo diálogo com as contribuições de Maria da Glória Oliveira (2018), Tania Ramos (2009), Cristina Scheibe Wolff (2015) e Heleieth Saffioti (2001, 2015). Na trama literária, a partir das narrativas de Maria Lúcia e Laura, os/as leitores/as vislumbram histórias marcadas pela violência, opressão e omissão – que não raro se relacionam com a trajetória das mulheres na sociedade patriarcal –, assim como os esforços pela construção de uma narrativa que exponha essas memórias, do ponto de vista de personagens que elaboram trajetórias familiares e existenciais. O resultado desta abordagem insere o texto literário como espaço de visibilidade das múltiplas violências que atingem as mulheres.
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