Este artigo versa sobre as relações desenvolvidas entre diversos grupos populacionais maioritariamente na região de Coimbra e o Mosteiro de São Salvador de Vacariça, uma das mais importantes comunidades monásticas do Ocidente peninsular cristão na fronteira com o Islão. Com recurso a testemunhos oriundos maioritariamente do cartulário da Sé de Coimbra – e a outros instrumentos diplomáticos, como avulsos e compilações factícias –, que os receberá devido à doação à sede diocesana daquela casa monástica, pretendemos descortinar como se desenvolveram essas mesmas relações, considerando que inúmera bibliografia tende a categorizá-lo como um foco de um monaquismo tradicionalista e moçárabe. Todavia, uma leitura mais aprofundada e cruzada dos testemunhos deste e de um outro mosteiro regional resultará numa proposta de uma realidade mais complexa, com maior variabilidade, na qual esse tradicionalismo seria uma entre várias outras facetas, coincidindo com a realidade de um espaço em transição política, social e cultural.
This paper focuses on the relationship developed between numerous social groups, mainly in the Coimbra region, and the Monastery of São Salvador de Vacariça, one of the most important monastic institutions located within the frontier areas between the Iberian Christian North and Islamic South. For this, we use documents mainly from the Coimbra Cathedral cartulary (and other diplomatic instruments, such as single sheet charters and modern compilations), which were transferred to this institution from that monastery, aiming to understand how those contacts developed, considering that various authors tend to label the coenobium as a focus of traditionalist and Mozarabic monasticism. However, submitting the testimonies of this and other regional monasteries through a cross-referenced reading resulted in a suggestion of a more complex reality, with more variability, in which this traditionalism would be one among several other features concurring with the political, social, and cultural change of a specific region.
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