O presente trabalho tem por finalidade discutir parte dos desafios enfrentados para a preservação de uma parcela do patrimônio brasileiro tombado a partir de uma série de ciclos iconográficos representativos da azulejaria portuguesa setecentista existente no Brasil. A série em questão – composta por seis ciclos de azulejos historiados – foi produzida no reino português da primeira metade do século XVIII para compor a decoração de diferentes igrejas e conventos da América portuguesa. Nessas imagens, representam-se, por meio da pintura azulejar, diversas passagens da vida de São Francisco de Assis (ca. 1181-1226). Apesar da reconhecida habilidade artística que se destaca de sua feitura e do reconhecimento institucional dessas obras como integrantes do patrimônio cultural luso-brasileiro, esses azulejos há muito perecem dos problemas decorrentes da degradação natural de sua materialidade, mas, especialmente, da falta de políticas públicas eficientes para a sua conservação. Assim sendo, a partir da mobilização de alguns referenciais teóricos da história, da história da arte e dos estudos do patrimônio, pretende-se discutir sobre os papéis desempenhados pelo patrimônio na atualidade a partir da própria noção contemporânea de “patrimônio cultural” e dos usos e funções das imagens pelo seu público. Com isso, busca-se analisar algumas relações entre esses azulejos e o seu lugar social enquanto patrimônio, na atualidade, por meio das interações socioculturais envolvidas tanto nas demandas que motivaram a sua produção no passado como nos desafios atuais para a sua conservação.
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