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Socorro, Portugal
No contexto português, a figura de “o emigrante” tem persistido ao longo do tempo e permeado as representações mediáticas, os discursos políticos e as produções científicas. A sociologia das migrações tem produzido numerosos textos sobre “emigração” e “regresso”, no entanto, são escassas as reflexões sobre as condições de produção do conhecimento. Este texto pretende contribuir para uma reflexão crítica sobre as categorias utilizadas na investigação produzida em Portugal. Partindo de um conjunto de questionamentos epistemológicos decorrentes do trabalho etnográfico que desenvolvi durante as pesquisas de doutoramento (2018–2022) e pós-doutoramento (2023–2024), reflito sobre um conjunto de zonas cinzentas e ângulos mortos nos estudos sobre migrações portuguesas intraeuropeias. Neste artigo, discuto nomeadamente o uso das noções de “emigrante”, “idade”, “percurso de vida”, “género” e “etnicidade”, apelando a uma abordagem reflexiva da chamada “emigração portuguesa” e, mais amplamente, do processo de produção do conhecimento. Esta reflexão reveste particular importância na medida em que certas categorias se revelam demasiado rígidas para dar conta dos atuais padrões de circulação, bem como da fluidez que carateriza as vivências de pessoas com experiências e/ou origens migratórias.
In the Portuguese context, the figure of “the emigrant” has persisted over time, permeating media representations, political discourses and scientific productions. While the sociology of migration has produced numerous texts on “emigration” and “return”, there are few reflections on the conditions of knowledge production. This paper aims to contribute to a critical reflection on the categories employed in research produced in Portugal. Drawing on a series of epistemological questions arising from the ethnographic work I undertook during my doctoral research (2018–2022) and postdoctoral research (2023–2024), I explore several grey zones and blind spots in studies on Portuguese migration within Europe. Specifically, I focus on the notions of “emigrant”, “age”, “life course”, “gender”, and “ethnicity”, advocating for a reflexive approach to the so-called “Portuguese emigration” and, more broadly, to the process of knowledge production. This reflection is particularly important insofar as certain categories are proving to be too rigid to account for contemporary mobility patterns, and for the fluidity characterising the lives of individuals with migratory backgrounds and/or origins.
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