A desigualdade é um fenômeno presente na sociedade e revela contornos específicos nas pandemias. No contexto da covid-19, quando se observa esse processo numa favela como o Morro da Kibon, percebem-se múltiplas camadas que se sobrepõem, produzindo um quadro alarmante. Nesse cenário, os debates feministas trouxeram para um primeiro plano a noção de vulnerabilidade de gênero na pandemia, evidenciando que as assimetrias de gênero são potencializadas numa crise sanitária. Este trabalho analisa uma das expressões desse fenômeno, mapeando sua emergência nas narrativas jornalísticas com recorte na população da favela. O estudo se insere no Morro da Kibon, favela de Santo André, no estado de São Paulo, e explora o modo como a narrativa midiática do Diário do Grande ABC, jornal que circula naquela região, tematizou a vulnerabilidade de gênero de mulheres da favela na conjuntura pandêmica. Adotando como procedimentos metodológicos a Análise Temática e a Narratologia, este trabalho se propõe pensar as relações entre o corpo favelado como lócus de enunciação das narrativas midiáticas na pandemia, o recorte de gênero como elemento temático articulador de tais narrativas e seus possíveis efeitos em termos de reforçar uma ontologia social desses corpos, com a vulnerabilidade subjacente, impactando sua saúde.
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