Brasil
The text discusses Foucault’s appeal to bodies and pleasures as instances of resistance against the productive effects of the sexual apparatus. In a first moment, we discuss Foucault’s discovery of the sexual apparatus. In a second one, we approach Butler’s analysis of Foucault’s picture of Herculine Barbin as a way for criticizing his own discussion of resistance. According to Butler, by recurring to bodies and pleasures Foucault would contradict his own genealogical analysis, since he would be presupposing them as prior instances to the normative powers that have produced the subjects of sexuality. In a third moment, we critically discuss Butler’s analysis and argue that Foucault did not see Herculine’s case as exemplary for us in what concerns the possibility of resisting against the sexual apparatus, since it was related to pastoral power. Finally, we argue that by dissociating bodies, pleasures and sexual practices from the empire of the ‘sex-desire’, Foucault aimed at stressing sexual conducts as a field of experiences in which subjects could devote themselves to self-transformations by enlarging their own ways of relating to others.
O texto discute o apelo de Foucault aos corpos e prazeres como instância de resistência aos efeitos do dispositivo da sexualidade. Primeiro, abordamos a descoberta foucaultiana do dispositivo da sexualidade. Depois, discutimos a análise de Judith Butler sobre o modo como Foucault retratou o caso de Herculine Barbin, tomando-o como estratégico para a sua própria crítica à concepção foucaultiana da resistência. Para Butler, ao recorrer aos corpos e aos prazeres Foucault entraria em contradição com sua própria análise genealógica, pois sua sugestão implicaria assumir a potência vital do corpo e do prazer como sendo anterior ou alheia ao dispositivo de poder-saber que produziu os sujeitos da sexualidade. No terceiro momento discorreremos criticamente sobre a análise proposta por Butler e argumentaremos que Foucault não tomou o caso de Herculine Barbin como modelo de resistência válido para nós, pois o entendeu como relativo ao dispositivo do poder pastoral. Finalmente, afirmamos que ao dissociar as práticas sexuais, os corpos e os prazeres do império do “sexo-desejo”, Foucault enfatizou o exercício de condutas sexuais como campo de experiências voltadas à transformação de si e dos outros, por meio da ampliação das relações entre os sujeitos.
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