O estudo dos diferentes fenómenos de poluição é complexo, visto que diversas variáveis podem ser consideradas bem como a combinação destas, sendo necessário recorrer a métodos estatísticos avançados de modelação para compreender a realidade. Com o desenvolvimento industrial o Rio Ave foi contaminado sobretudo devido às descargas de efluentes industriais sendo até denominado de "O Grande Esgoto" em meados do século 20. De modo a melhorar a qualidade da água, o Rio Ave foi alvo de planos estratégicos embora alguns dos problemas persistam. Neste sentido realizou-se a avaliação da integridade ecológica das águas superficiais de 91 sub-bacias do Rio Ave através da aplicação de modelos de equações estruturais. O objetivo deste estudo estatístico é identificar as principais fontes de poluição que contribuem para a perda de biodiversidade em toda a bacia. Para tal foi desenvolvido um modelo conceptual, composto pelas principais variáveis latentes utilizadas: contaminação das águas, pressões existentes e integridade ecológica. No sentido de executar o modelo utilizaram-se 31 variáveis, entre as quais concentrações de contaminantes (nutrientes, metais, carências de oxigénio e sólidos totais), pressões exercidas no solo (risco de incendio, usos do solo, agricultura, produção de gado, conflitos de uso, densidade populacional) descargas industriais e urbanas de efluentes e os valores do bioindicador MELI (Multiple Ecological Level Index). Com o objetivo de reduzir problemas de multiculineariedade excluíram-se algumas variáveis de modo a que o coeficiente de correlação de Pearson entre cada regressor não fosse superior a 0,8. Nos modelos produzidos obtiveram-se coeficientes de determinação elevados (próximos de 0,9) sendo que foi possível identificar que as principais fontes de contaminação são as descargas de efluentes industriais e urbanos bem como a produção de gado. A presença de ferro, sólidos suspensos totais e a carência bioquímica de oxigénio nas águas superficiais são os fatores com maior impacto direto na perda de integridade ecológica.
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