A presente pesquisa realiza dois movimentos teóricos: o primeiro, reconstrói a noção bergsoniana de retorno à experiência; o segundo, mostra como aquele solo temático tornou-se basilar às intersecções com as filosofias de Merleau-Ponty e de Leopold Sédar Senghor. Este último, em especial, nos fornece o sentido de devir poético negro, desde a base vitalista bergsoniana, o que torna possível pensarmos a reconstituição de uma ontologia pré-colonial. Essa imbricação teórica leva a requerer, por meio do exercício de alargamento da razão - raison élargie -, a descolonização da experiência, isto é, o retorno ao originário. Assim, “a tese de minha tese” afirma a existência de um devir poético negro que se atualiza via experiências afrodiaspóricas e que dá ânimo à construção de um novo humanismo. Quer dizer, o sentido de retorno à experiência, a partir de Bergson, nos remete a um território ancestral, anterior aos domínios da razão que inibe qualquer tentativa de mobilidade. Ora, a atualização do vivido, das experiências múltiplas emergidas do âmbito da memória, reclama uma linguagem outra, que perpasse o campo do puro conceito e da estaticidade, para traduzir o movimento de pulsação, portanto, de devir. Nesse sentido, pensamos, à luz da obra de Senghor, a constituição de um novo modelo de universalismo, agora forjado pelo encontro e pela troca das experiências, e convertido em um humanismo híbrido.
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