Coimbra (Sé Nova), Portugal
A evolução dos média e dispositivos tecnológicos e comunicacionais, como as aplicações móveis, requer o reconhecimento de que em paralelo, nessas tecnologias, se desenvolvem dinâmicas com base em fatores identitários, como é o género. As dinâmicas de género nas aplicações móveis refletem sistemas de opressão, influenciando a vida das pessoas e perpetuando modelos tendencialmente binários de desequilíbrios de poder. Aqui aborda-se a disputa digital pela visibilidade e inclusividade de identidades de género além do binarismo, apesar de se reconhecer a escassez de abordagens inclusivas nos estudos. Frequentemente, as mulheres são associadas a uma maior utilização de plataformas de média/redes sociais, potencialmente explicada pela maior orientação para relações interpessoais, mas também pela necessidade de performance social de feminilidades, nomeadamente através do fenómeno das selfies, que pode ser entendido como reflexo dessas construções hegemónicas culturais e estereotipadas. Quando se identificam padrões de utilização relacionados com o género, identifica-se a existência de um potencial de vício nessas tecnologias, apesar do risco do vício, como um todo, poder ser maior nos homens (Anderson et al., 2017; Chae et al., 2018), sobretudo por força das aplicações de jogos ou para fins de entretenimento. A própria preferência de características tecnológicas dos smartphones pode ser influenciada pelo género, face às construções e expectativas sobre o que significa ser mulher e ser homem. De todo o modo, destaca-se a importância de conceptualizar as interações digitais considerando identidades de género além do binarismo, enfatizando-se a necessidade de construir aplicações de forma inclusiva que não fortaleçam as construções hegemónicas identificadas.
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