Socorro, Portugal
O projeto MyGender aborda a interseção entre aplicações móveis, relações de poder de género e experiências de uso no ambiente digital. A partir da perspetiva do novo materialismo feminista, o projeto busca compreender as ontologias complexas do ser humano, explorando a relação entre humanos e tecnologia. Este capítulo discute a tecnicidade na forma em que a tecnologia molda a sociedade e a experiência humana, destacando o papel das aplicações móveis na vida dos jovens adultos/adultas. Estas são consideradas como extensões do self, influenciando a identidade e as interações. Affordances, por sua vez, referem-se às propriedades percebidas e reais das tecnologias, condicionando experiências e interações. O estudo empírico realizado no âmbito do projeto revela que as redes sociais são as aplicações mais utilizadas, seguidas por aplicações de namoro. A análise inclui a perspetiva de género, destacando a relevância das aplicações na construção da identidade digital de género e sexualidade. A gramatização é explorada como o processo de padronização e organização de conteúdos gerados pelos/as utilizadores/as nas plataformas digitais, influenciando a in-teração e a perceção da informação. Enquanto pode permitir mobilização social e expressão cultural, também levanta preocupações sobre dados enviesados, erosão da privacidade e proliferação de desinformação. No contexto das identidades de género e sexualidade, destaca-se que os/as utilizadores/as podem desenvolver diferentes apropriações, influenciadas pela cultura de uso das plataformas. A análise enfatiza a importância de abordagens democráticas na conceção e governança das plataformas, priorizando os interesses e necessidades das pessoas.
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