Coimbra (Sé Nova), Portugal
A compreensão crítica dos média digitais e até a exploração das utilizações e apropriações das aplicações móveis (m-apps) suscitam olhares atentos não só para o passado recente e para a atualidade, mas também para o futuro. Após a revisão sistemática da literatura e a análise de tendências, este capítulo procura explorar cenários futuros para interrogar tempos vindouros. Adapta-se uma proposta metodológica do projeto CEDAR (Consortium on Emerging Directions in Audience Research), que considera drivers, isto é, dimensões e indicadores. Assim, tendo como base uma perspetiva social construcionista, parte-se para uma abordagem crítica da tecnologia que possibilita que se estabeleçam pontos de partida que interseccionam a mediação digital enquanto processo de transformação. O processo de análise prospetiva (foresight analysis) é ancorado na sociologia das expectativas, propondo cenários para o ano de 2035, baseados em duas dimensões: interfaces mediadas e construções sociotécnicas de género. Utilizando indicadores societais e tecnológicos, neste capítulo projetam-se quatro cenários futuros: “geração me: individualismo social e digital”, “geração we: o digital como mediador da cidadania ativa e consciente”, “movimento anti-self-tracking: resistência à intrusiva cultura de vigilância” e “cobaias digitais: imersão tecnológica em resposta à crise da curiosidade”. A análise prospetiva que este capítulo propõe assume a pretensão de apresentar um retrato abrangente e criativo do futuro.
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