El problema de la no identidad genera el interrogante de si un acto que es necesario para que una persona llegue a existir puede a la vez dañarla. Por ejemplo, de acuerdo con la lógica de la no identidad, los descendientes de las víctimas de injusticias históricas como la esclavitud y el Holocausto no pueden quejarse de esas injusticias porque esos terribles eventos hicieron posible su propia existencia. Si una persona tiene una vida que vale la pena, entonces las injusticias pasadas pero necesarias para que llegase a existir no podrían haberla dañado. Este artículo ofrece soluciones novedosas a ese razonamiento contraintuitivo que produce el problema de la no identidad al reposicionarlo en un nuevo escenario: la cuestión de la ganadería. De acuerdo con la lógica de la no identidad, el matadero beneficia a los animales condenados a la muerte porque esa es su razón de existir. Este artículo responde al problema de la no identidad proponiendo principalmente una asimetría entre no crear un ser vivo y dañar un ser vivo, esto es, construyendo una versión moralizada del efecto de la dotación. La consideración del problema de la no identidad en el contexto animal revela una base común entre el razonamiento moral respecto de las obligaciones humanas intra e interespecies.
O problema da não identidade questiona se um ato necessário à existência de uma pessoa também pode prejudicá-la. Se uma pessoa tem uma vida que vale a pena ser vivida, então os erros do passado, mas para os quais ela não existiria, aparentemente não podem tê-la prejudicado. De acordo com a lógica da não-identidade, um descendente de vítimas de injustiças históricas como a escravatura e o Holocausto não pode queixar-se dessas injustiças porque os terríveis acontecimentos tornaram possível a sua própria existência. Este artigo oferece novas soluções para o raciocínio contra-intuitivo da não-identidade, colocando-o num novo cenário: alegações sobre a pecuária. Pela lógica da não-identidade, um matadouro beneficia os animais condenados a acabar ali, porque o abate era a razão de ser desses animais. Este artigo responde ao problema da não-identidade principalmente ao postular uma assimetria entre não conseguir criar seres vivos e prejudicá-los, construindo assim uma versão moralizada do efeito dotação. A consideração do problema da não identidade no contexto animal também revela um fio condutor comum que atravessa o raciocínio moral sobre as obrigações humanas para com a nossa própria espécie, bem como para com outras espécies.
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