Argentina
Cocinar es parte de los trabajos domésticos y de cuidado que principalmente encaran las mujeres en los hogares. El Nordeste argentino es una de las regiones con mayores indicadores de desigualdad, donde el acceso a alimentos por parte de las familias se torna cada vez más complejo. En este contexto, y en una temporalidad de aproximadamente ochenta años, de 1940 a 2022, se propone un estudio comparativo de tres generaciones de mujeres de dos familias de origen rural: una de ascendencia inmigratoria española y la otra nativa qom. A través del relato de estas mujeres se identifican los cambios en la preparación de alimentos y se explora cómo cocinar y alimentar se han alterado como consecuencia de los cambios en la producción agrícola y los usos y tenencia de tierras. Se utilizó una metodología cualitativa interpretativa, con entrevistas en profundidad, observación y registro de campo. El análisis evidencia que las transformaciones impactaron en el acceso a nutrientes, la comensalidad, y las formas y tiempos destinados a cocinar; particularmente, se encontró que las modificaciones en el territorio y en los modos de explotación de este impactan en el acceso a nutrientes y la autonomía alimentaria. La transición nutricional y la desigualdad que provoca se explican por relaciones multidimensionales entre territorios, desplazamientos de las familias, la falta de acceso a empleo, redistribución de las tareas en los hogares, y pérdida de los saberes culinarios y de las identidades que estos comportan.
Cozinhar faz parte do trabalho doméstico e de cuidado que as mulheres realizam principalmente em suas casas. O nordeste da Argentina é uma das regiões com os mais altos indicadores de desigualdade, onde o acesso das famílias aos alimentos está se tornando cada vez mais complexo. Nesse contexto, e em um período de aproximadamente 80 anos, de 1940 a 2022, propomos um estudo comparativo de três gerações de mulheres de duas famílias de origem rural: uma de descendência de imigrantes espanhóis e outra nativa de qom. Por meio dos relatos dessas mulheres, identificamos mudanças na preparação de alimentos e exploramos como a culinária e a alimentação foram alteradas como consequência das mudanças na produção agrícola e no uso e posse da terra. Foi utilizada uma metodologia qualitativa interpretativa, com entrevistas aprofundadas, observação e registro de campo. A análise mostra que as transformações tiveram um impacto no acesso aos nutrientes, nos hábitos alimentares e nas formas e no tempo de cozimento; em particular, constatou-se que as mudanças no território e nas formas de exploração têm um impacto no acesso aos nutrientes e na autonomia alimentar. A transição nutricional e a desigualdade que ela provoca podem ser explicadas pelas relações multidimensionais entre os territórios, pelo deslocamento das famílias, pela falta de acesso ao emprego, pela redistribuição de tarefas nos lares e pela perda do conhecimento culinário e das identidades que ele implica.
Cooking is an integral part of domestic and caregiving responsibilities that are primarily shouldered by women in households. The Northeast region of Argentina exhibits high levels of inequality, posing increasing challenges for families in accessing food. Within this context, a comparative study spanning approximately eighty years, from 1940 to 2022, examines three generations of women from two rural-origin families: one with Spanish immigrant heritage and the other of indigenous Qom background. Through the narratives of these women, the study explores the changes in food preparation and delves into how cooking and nourishment have been influenced by shifts in agricultural production, land use, and land ownership. Qualitative interpretative methods, including in-depth interviews, observations, and field recordings, were employed. The analysis reveals that these transformations have impacted nutrient accessibility, communal dining practices, and the methods and time dedicated to cooking. Notably, it was observed that alterations in territory and changes in land exploitation have implications for nutrient access and food self-sufficiency. The study elucidates the nutritional transition and resulting inequality as a consequence of multidimensional relationships between territories, family displacements, limited employment opportunities, redistribution of household tasks, and the erosion of culinary knowledge and the identities intertwined with it.
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