Brasil
O projeto político elaborado por Júlio de Mesquita Filho norteava a atuação do jornal O Estado de S. Paulo e propunha a reconstrução do Estado e a regeneração dos costumes políticos do país. De acordo com “Julinho”, a República brasileira mostrava-se decadente no campo político e social, graças à abolição da escravatura e o consequente afastamento das elites intelectuais da máquina política nacional, dominada pelas oligarquias estaduais que se perpetuavam no poder, por meio de práticas eleitorais fraudulentas. A execução do referido projeto ficaria nas mãos de uma força dirigente paulista que, considerada superior em relação aos demais brasileiros, a partir de critérios de raça, nascimento e tradição histórica, ficaria responsável pela construção de uma “identidade coletiva” e pela condução dos destinos do país, possibilitando, desta maneira, a “adaptação” da democracia no Brasil. Contudo, tal projeto fazia, sim, parte dos planos para a hegemonia política e cultural de uma fração da classe dirigente paulista, representada pelo grupo que controlava o jornal O Estado de S. Paulo (OESP).
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