Río de Janeiro, Teatro São Pedro de Alcântara, Día del Juramento de la Constitución Brasileña, 25 de marzo de 1851. La representación teatral del melodrama francés Los Misterios de París, basado en la novela homónima, simbolizó el inicio de un nuevo ciclo en la política de la esclavitud en Brasil. Aparentemente, la obra ofrecía entretenimiento a la élite carioca explotando la conmoción de los espectadores al representar las miserables condiciones de la clase obrera parisina, pero tenía significados más profundos en la vida social brasileña. A través del estudio de la novela de Eugène Sue y del análisis de los intereses políticos de su publicación en la prensa de Río de Janeiro, este trabajo investiga la versión teatral de la obra representada en 1851 y sus vínculos con la abolición del tráfico transatlántico de africanos a Brasil.
On March 25, 1851, the anniversary of the Brazilian Constitution of 1824, the Teatro São Pedro de Alcântara presented, under the eyes of Emperor Pedro II, the play The Mysteries of Paris. The play was based on the homonymous novel by French writer Eugène Sue, translated into Portuguese by Justiniano José da Rocha in the 1840s. The article analyzes the motivations of the translation shortly after its original publication and its theatrical presentation in the early 1850s. Based on newspapers of the time, sources from the National Dramatic Conservatory, and specialized bibliography, the text argues that both the translation and the staging of the play were part of a strategy that made up the “politics of slavery” carried out by the Saquaremas between the Regency and the beginning of the Second Reign.
No dia 25 de março de 1851, aniversário da Constituição brasileira de 1824, o Teatro São Pedro de Alcântara apresentou, sob os olhares do Imperador D. Pedro II, a peça Os Mistérios de Paris, baseada no folhetim homônimo do escritor francês Eugène Sue, traduzido ainda na década de 1840 para o português por Justiniano José da Rocha. O artigo tem por objetivo analisar as motivações que levaram a tradução da obra pouco tempo depois da sua publicação original e a sua apresentação teatral no início da década de 1850. Com base em jornais da época, documentos do Conservatório Dramático Nacional e bibliografia especializada, o texto defende que tanto a tradução como a encenação da peça fizeram parte de uma estratégia que compôs a “política da escravidão” levada a cabo pelos saquaremas entre o período Regencial e o início do Segundo Reinado.
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