Apesar de ter sido acusado de desenvolver uma teoria abstracta, desconectada de condições reais, despolitizante e, ao fim e ao cabo, favorecedora do status quo, Rawls não deixou de analisar, desde 1971, as condições político-económicas que tornariam a sua teoria viável. A análise deste tópico conclui-se com a afirmação de que os princípios e ideais da sua teoria não poderiam ser satisfeitos sob o capitalismo, em qualquer uma das suas formas. Este artigo discute a possibilidade de tornar [o ideal da] a justiça como equidade compatível com um estado de bem-estar social capitalista e demostra que as razões aduzidas por Rawls para negar tal possibilidade permanecem perfeitamente válidas. As dificuldades de um estado de bem-estar capitalista para contrariar as tendências do capitalismo para desenvolver desigualdades antidemocráticas tornam este sistema inaceitável. O artigo defende que, embora seja um nobre ideal impedir alguém de cair abaixo de um determinado mínimo social, os requisitos dos princípios de justiça são muito mais exigentes. Este artigo conclui defendendo a metodologia de Rawls e os seus principais argumentos e demonstra como, ao invés de ter efeitos despolitizantes, a justiça como equidade permite-nos alargar a nossa imaginação política de modo a, tanto denunciar o carácter altamente oligopólista das economias capitalistas como a combater a tendência ubíqua do neoliberalismo para elevar a eficiência económica ao estatuto de um valor a que tudo se deve subordinar.
Despite the accusation of developing an abstract theory, detached from real conditions, depoliticizing, and ultimately inclined towards the status quo, Rawls did not fail to analyze, since 1971, the political-economic conditions in which his theory could become viable. The analysis of this topic concludes with the statement that the principles and ideals of his theory could not be satisfied under capitalism in any of its forms. This article discusses the possibilities of making justice as fairness compatible under a capitalist welfare state and shows that the reasons Rawls presented for denying this possibility remain perfectly valid. The difficulties of a capitalist welfare state to curb the tendencies of capitalism towards undemocratic inequality make this system unacceptable. The article defends that, although it is a noble ideal to prevent anyone from falling below a certain social minimum, the requirements of the principles of justice are much more demanding. The article concludes by defending Rawls's methodology and main arguments and shows that far from having depoliticizing effects, justice as fairness allows us to broaden the political imagination both to denounce the highly oligopolistic character of capitalist economies and to combat the ubiquitous inclination of neoliberalism towards economic efficiency as an all-encompassing value.
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