Santiago, Chile
O presente artigo busca analisar a atividade de catequese e civilização dos “índios bravos” (Pataxós, Botocudos e Maxakalis) no município da vila do Prado, no sul da Bahia, entre 1844 e 1888. A partir de uma abordagem histórico-descritiva, baseada em fontes primarias – documentos manuscritos e documentos editados –, evidenciou-se que: as iniciativas de catequese e civilização foram motivadas pela narrativa dos ataques dos “índios selvagens” realizadas pelas as autoridades e fazendeiros da vila do Prado; o interesse dos promotores da catequese e civilização e dos fazendeiros era controlar os grupos indígenas recalcitrantes ao processo de penetração e ocupação dos territórios do sertão do município do Prado; todas as tentativas de aldear os indígenas faliram pela ineficiência da administração pública, pela insalubridade dos lugares, por falta de missionários e pela resistência dos indígenas ao sistema de aldeamento; os indígenas reagiram ao processo de dominação com ataques esporádicos às propriedades e sítios dos colonos, fugindo e/ou enganando o aliciamento dos agentes da catequese e civilização e adentrando cada vez mais para os sertões para fugir das perseguições e os assassinatos perpetrados pelos colonos. Evidenciou-se uma disputa pelo território: os promotores da catequese e civilização e os fazendeiros, que incentivavam a penetração e a ocupação dos sertões em nome do progresso da agricultura e do comércio e os indígenas que viam a cada dia seu habitat encolhendo e, portanto, sua fonte de alimentação. Para aqueles era uma questão de progresso; para estes, uma questão de sobrevivência.
The paper aims to analyze the activity of catechesis and civilization of the "brave Indians" (Pataxó, Botocudos, and Maxakalis) in the Prado village municipality in southern Bahia between 1844 and 1888. Based on a descriptive-historical approach of primary sources - handwritten and edited documents – it is evident that catechism and civilization initiatives were motivated by the stories of attacks by "savage" Indians told by authorities and farmers from Prado village. Thus, the interest of the promoters of catechesis and civilization, and of the farmers was to control the indigenous groups who were defiant of penetration and occupation of the Prado hinterland. Furthermore, all attempts to build villages for the Indians failed due to the inefficiency of the public administration, the insalubrity of the places, the lack of missionaries, and the resistance of the Indians to the village system. The Indians reacted to the domination process with sporadic attacks on settlers’ farms, fleeing and/or tricking catechists, and moving further into the hinterland to escape persecution and murder by the settlers. As a result, a territorial dispute became evident: on one side, catechists, and farmers, who encouraged the penetration and occupation of the hinterlands for the progress of agriculture and trade, and on the other side, the natives, who saw their habitat and source of food decreasing every day. For the former, it was a question of progress; for the latter, a question of survival.
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