Brasil
O trabalho em questão trata das possibilidades e limites da história oral como metodologia para a pesquisa historiográfica, tecendo considerações sobre esta a partir do exercício da modalidade história de vida. Buscou-se neste, experimentação com base em hipótese sobre prováveis transformações das relações sócio-políticas no Estado do Espírito Santo, de um padrão coronelista para outro populista, no período de 1936 a 2000, em particular nas décadas de 1950 e 1960, que tem o governador Francisco Lacerda como protagonista. Este é um dos trabalhos resultantes de exercício em grupo sobre o mesmo período e hipótese, utilizando diferentes perfis de colaboradores. Neste caso, uma mulher de 74 anos, “alienada”, embora faça parte de família ligada à oligarquia capixaba, e tenha conhecido Lacerda pessoalmente. As duas entrevistas realizadas revelam uma imagem opaca da realidade política e partidária do período não só devido à parca memória halbwachiana da entrevistada, mas resultante da miopia desta com relação à política, com registros que permitem analisar continuidades e transformações relativas a questões de gênero. Pois enfatiza, primordialmente, no ES do período um mundo dividido, cindido, comum apartheid entre homens e mulheres.
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