O presente estudo apresenta uma proposta de aproximação ao problema da inteligência artificial.Nosso entendimento é que as abordagens para o problema da IA são de natureza dicotômica, o quecausa um impasse que impede o avanço da discussão. A maneira de lidar com a questão da IA forteque sugerimos é o resultado do cruzamento do pensamento de três filósofos do século XX, JohnLangshaw Austin (1911-1960), Reinhard Koselleck (1923-2006) e Douglas Hofstadter (1945). Austin,nos adverte quanto aos problemas falsos com os quais poderíamos encontrar se a configuraçãometafísica em que abordamos o assunto fosse dualista do tipo dicotômico. A reflexão sobre osobjetivos do projeto de IA é profundamente influenciada por modelos metafísicos dicotômicos, o quetorna o aviso de Austin altamente relevante para quem se predispõe a refletir sobre esse problema.Koselleck, apresenta uma possibilidade de superar o impasse dicotômico através de sua visãoestratificada do tempo histórico. Na concepção de Koselleck, o tempo histórico é constituído porcamadas que não formam pares de oposição, pois todos produzem efeitos um sobre o outro. Seumodelo temporal pressupõe outro arranjo metafísico, no qual as perspectivas de entendimento doque acontece são muito mais variadas e diversas do que as partes constituintes que formam um pardicotômico. Ao pensar o tempo como algo que pode ser estratificado, ele desenvolve uma novaconcepção de tempo que não é linear nem circular. Quanto a Hofstadter, ao lidar com a noção de voltaestranha, ele apresenta um movimento de pensamento que tem expressão nas artes e na matemática.Um arranjo de pensamento que, em nossa opinião, reúne as condições para superar os limitesimpostos pelo modo de pensar dicotômico aplicado ao problema da IA.
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