O presente trabalho trata-se de um esforço investigativo acerca da autonomia ou, como queira, da chamada “liberdade de espírito”. Empreendeu-se tal propósito partindo dahipótese comum de que “forças ocultas” — porque são desconhecidas — obstruem o acesso e o exercício da autonomia, mesmo sabendo-se de todas as vantagens que residem nesta e das desvantagens que sua ausência implica. Ao longo do texto, porém, o conceito deautonomia é aclarado, cedendo espaço a profícuas discussões acerca da inteligência (νοῦς —razão, mente), a partir das quais se encontrou determinada correspondência desta com um sentido inerente ao modo de ser mais próprio do homem enquanto ente dotado de razão. Por essas vias, chegou-se à constatação de que a inteligência, que dispõe o ser-livre do homem, é a potência que mais bem o caracteriza como homem; de maneira que a efetivação ou não da liberdade de espírito corresponde, exclusivamente, a um modo de ser do homem. Tal modo, aliás, por tratar-se unicamente da maneira como o homem, isto é, esse ente dotado de razão, exige de si mesmo a sua satisfação; consequentemente, por corresponder à essência de ‘homem’ em sua natureza e movimentos originários, tal modo de ser, dizia-se, consiste em percorrer as veredas de um caminho a que todo humano tem acesso por direito.
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