Santo Ildefonso, Portugal
This paper studies the specificities of the little-known tale Dominga in the context of Agustina Bessa-Luís' work, in particular its connections to French and German cultures, rare in the Lusitanian writer's texts. We propose to investigate how these cross-cultural references is the cornerstone of a universe simultaneously autobiographical and fantastic in the Sartrian sense, which leads to a reflection on the limits of human imagination and the boundaries between literature and reality. When read as a mise en abîme of storytelling, we analyze how Dominga becomes an ars poetica of how to deal with mystery, essential to the understanding of Agustina's texts. From listener to narrator, we observe Dominga's visitor confronting the enigmas of Heidelberg, but also the German writer's past, which tests her curiosity for the truth and her ability to assume the irremediable. Finally, we highlight how the solution found - the absence of hope - is present in other novels by the writer and in dialogue with the tales of Antoine Saint-Exupéry.
Este artigo estuda as especificidades do pouco conhecido conto Dominga no panorama da obra de Agustina Bessa-Luís, em particular as suas ligações às culturas francesa e alemã, raras nos textos da escritora lusitana. Propomos indagar como esta ancoragem além-fronteiras é pedra angular de um universo simultaneamente autobiográfico e fantástico no sentido sartriano, que conduz à reflexão sobre os limites da imaginação humana e às fronteiras entre literatura e realidade. Ao ser lido como uma mise en abîme do ato de contar histórias, analisamos de que forma Dominga se torna uma arte poética de como lidar com o mistério, essencial para a compreensão dos textos de Agustina. De ouvinte a narradora, observamos a visitante de Dominga a confrontar-se com os enigmas de Heidelberg, mas também com o passado da escritora alemã, que testam a sua curiosidade pela verdade e a capacidade de assumir o irremediável. Por fim, realçamos como a solução encontrada – a ausência de esperança – está presente noutros romances da escritora e dialoga com os contos de Antoine Saint-Exupéry.
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