Brasil
Neste artigo descreveremos, tomando como base a literatura fenomenológica e clínica, o fenómeno da vergonha como uma emoção ressonante na qual os sujeitos se encontram interrelacionados entre si, graças a dois aspectos pré-reflexivos do sentimento de ”si mesmo’’: corporeidade e senso comum. Mais especificamente, daremos atenção à noção de intercorporeidade, tal como esta reflete o fato de o nosso self, desde o nascimento, ser essencialmente relacional e corporificado. Ao fazê-lo, nos utilizaremos do transtorno de espectro autista como exemplo paradigmático e argumentaremos que as dificuldades experienciadas por sujeitos autistas relacionadas à vergonha ocorrem, principalmente, por causa da falta ou de disfunções nos domínios da intercorporeidade e do senso comum. Segundo esta posição, a vergonha se revela como um fenômeno de natureza complexa e sinônimo de uma emoção essencialmente corporificada e relacional.
In this paper, drawing on phenomenological and clinical literature, we will describe shame as a resonant emotion where the subjects involved are intertwined with one another thanks to two pre-reflective features of selfhood: embodiment and common sense. Furthermore, we will pay particular attention to the notion of intercorporeality, as it reflects the fact that our self, since birth, is essentially relational and embodied. In doing so, we will use the case of autism spectrum disorder as a paradigmatic situation and we will claim that the difficulties experienced by autistic subjects in feeling shame (and other complex emotions) are primarily due to the lack or the impairments in the domains of intercorporeality and common sense. In this view, shame reveals its complex nature and it is synonymous with a bodily and essentially relational emotion.
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