Brasil
The article aims to propose a reflection on the doctrine of the sensible, taking as its starting point the Sixth Book of Dialogue on the Music of St. Augustine (387-391). The goal is to identify elements for an Augustinian 'aesthetic', with neoplatonic bases, whose main focus is on the interiorization of the soul. Our analyzes focus only on the sixth book, aiming at the soul's journey to God, through a gradual ascension that goes from the education of the senses, the hearing, the vision, goes through the conversion of the gaze until reaching the perceptual and sensorial transcendentalization, demonstrating in such circumstances that the movements of the soul are in analogy to the harmonies and rhythms of music. According to Augustine, the rhythms of the soul are realized by memory, because even in silence and even in the dream we recall the passions of the soul in the body as if the soul were in full activity resisting or allowing the passions of the body.
O artigo visa propor uma breve reflexão sobre a doutrina das sensações em Santo Agostinho, a partir do Diálogo sobre a música (387-391). O De musicaé considerado um grande projeto agostiniano no âmbito das artes liberais resultante de seu magistério de retórica durante sua estadia em Milão. Nele podemos identificar elementos importantes para se pensar uma ‘estética’ agostiniana, com bases nas estruturas mentis neoplatónicas, cujo enfoque maior se dá no carácter ascensional da alma e seus sentidos. Na concepção neoplatónica assumida por Agostinho, através da impressão sensorial produzida nos órgãos corpóreos, a alma vê o rastro das formas inteligíveis, neste âmbito a própria sensação, como escreve Agostinho, nos conduz para a contemplação do inteligível. E assim, ao modo como a sensação se produz na alma, Plotino também interpreta como atividade da alma, a memória, os sentimentos, as paixões, as volições, e tudo que a ele se liga. As nossas análises centralizam-se somente no livro sexto, onde Agostinho fixa a sua exegese no itinerário da alma a Deus, numa gradual ascensão que parte desde a educação dos sentidos, isto é, a audição, a visão, perpassa a conversão do olhar até alcançar a trancendentalização perceptivo-sensorial, demonstrando que os movimentos da alma estão em analogia às harmonias e ritmos da música. De acordo com Agostinho, os ritmos da sensação são realizados pela memória porque mesmo no silêncio e sobretudo no sono recordo as paixões da alma no corpo como se a alma estivesse em plena atividade resistindo ou consentindo as paixões do corpo.
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