Recentes descobertas documentais abriram portas a um melhor entendimento das iniciativas modernistas da chamada “geração de Orpheu”. Feitos históricos como as estreias da Symphonia Camoneana em 1913 ou do Bailado do encantamento e d’A princeza dos sapatos de ferro em 1918, por diversas razões ignorados ou menosprezados pela historiografia, são agora alvo de crescente interesse por parte do meio académico. Neste contexto, propõe-se uma reflexão sobre o imaginário iconográfico em torno de Ruy Coelho (1889-1986) e da música que apresentou nestes anos fervilhantes, nomeadamente através da observação e análise de três tipos distintos de imagem: retratos do compositor, iconografia musical directamente associada à sua obra musical —fontes publicadas na imprensa musical ou humorística— e iconografia para-musical (ilustrando o aparato visual das produções baléticas acima referidas). Esta iconografia reforça ou contraria a música a que se refere? O que nos revela acerca da sua efectiva modernidade? Que som a imagem revela, e o que nos diz acerca dos processos de construção, recepção e transformação de ideários modernistas?
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